Há uma frustração que aparece muito na cabine e de que quase ninguém fala antes de acontecer: a balança finalmente desceu, a roupa já serve, e mesmo assim o espelho não corresponde. A gordura saiu mais depressa do que a pele conseguiu acompanhar, e o que fica é uma zona mais mole do que era. Não é falta de esforço nem imaginação tua. É a pele a demorar o seu tempo, que raramente é o mesmo tempo da dieta.
O calor trabalha em dois tempos
A radiofrequência aquece a pele em profundidade, até uma temperatura controlada na ordem dos 40 a 42 graus, e o que acontece a seguir tem duas fases muito diferentes.
A primeira é imediata: as fibras de colagénio que já lá estão contraem com o calor. É por isso que muita gente sai da sessão a achar a pele mais tensa. Essa parte é, em boa medida, passageira, e é também a que se costuma confundir com o resultado final.
A segunda é a que interessa mesmo, e é lenta. O aquecimento controlado põe os fibroblastos a trabalhar, e é essa produção nova de colagénio e elastina que sustenta a firmeza ao longo das semanas seguintes. Ou seja, o resultado que fica não é o da sessão que acabaste de fazer: é o das semanas a seguir. Perceber isto muda a expectativa e evita a desilusão de quem se olha ao espelho no dia seguinte à primeira sessão.
Como é a sessão
É das sessões mais confortáveis da casa. Um manípulo desliza sobre a pele com gel e o que se sente é calor, morno a quente, sempre dentro do que é suportável. Não há agulhas, não há cortes e não há tempo de recuperação: sais e segues o teu dia, treino incluído. Uma leve vermelhidão na zona é normal e passa sozinha em pouco tempo.
Nas 24 a 48 horas seguintes, convém evitar sol direto na zona e outras fontes de calor, como sauna ou banhos muito quentes, e beber água ao longo do dia.
Quantas sessões
Na clínica, a radiofrequência corporal trabalha-se em packs de seis sessões, uma por semana. A maioria começa a notar diferença por volta da quarta à sexta sessão, e a remodelação do colagénio continua durante meses depois da última.
Duas ressalvas honestas. A primeira é que seis sessões são um bloco inicial, não um número mágico: uma flacidez mais marcada pode precisar de mais, e é isso que se avalia caso a caso. A segunda é que o resultado não é permanente, porque a pele continua a envelhecer depois de o plano acabar. Manter costuma passar por sessões espaçadas, de quatro em quatro ou de oito em oito semanas, depois do bloco inicial.
Até onde vai, e onde para
Esta é a parte que prefiro dizer antes e não depois. A radiofrequência trabalha bem a flacidez ligeira a moderada, aquela em que a pele ainda tem capacidade de recolher. É o caso da maioria das pessoas que perderam peso de forma gradual.
Quando a perda foi muito grande ou muito rápida, e ficou pele a mais que pende por si, aí há um limite que não é de esforço nem de número de sessões: é estrutural. Nesses casos a radiofrequência melhora a textura e o aspeto geral da pele, mas não substitui o que só outra abordagem resolve. Preferimos dizer-te isso na avaliação a vender-te um pacote que não vai dar o que esperas.
O mesmo vale para as estrias. A radiofrequência pode melhorar a qualidade da pele à volta delas, mas as estrias em si não desaparecem.
Porque é que se combina com outras tecnologias
Faz sentido e a lógica é simples. A cavitação e o lipolaser trabalham a gordura; ao reduzir volume, deixam para trás pele que precisa de acompanhar essa mudança, e é aí que a radiofrequência entra a firmar o que fica. A vacuoterapia, uma massagem por sucção, ativa a circulação e trabalha diretamente a textura e as traves fibrosas da celulite. São ferramentas diferentes para problemas diferentes, e é por isso que costumam aparecer juntas no mesmo plano.
Vale a pena guardar esta distinção: a radiofrequência trata a pele, não a gordura. Trabalha a firmeza enquanto emagreces, com o emagrecimento a acontecer pelo caminho do costume, que é a alimentação e o exercício.
Quando não se faz
O carrossel não fala disto e é informação que deves ter antes de marcares. A radiofrequência não se faz na gravidez nem na amamentação, nem em quem tenha pacemaker, desfibrilhador ou outros dispositivos eletrónicos implantados, nem sobre implantes metálicos na zona a tratar. Fica também de fora em caso de epilepsia, feridas abertas, infeção ou herpes ativo na zona, doença oncológica ativa ou recente naquela área, febre ou doença aguda, e em zonas onde tenhas a sensibilidade ao calor diminuída, porque aí o aviso natural de que está demasiado quente não funciona.
Há ainda situações que não são um não, mas que temos de saber: alterações da coagulação ou medicação anticoagulante, diabetes descompensada e doenças autoimunes. Diz-nos na avaliação e decidimos a partir daí.
O que faz diferença do teu lado
O peso estável durante o plano é o fator que mais pesa. Se o peso continuar a oscilar de forma acentuada, a pele que estamos a tratar está sempre a mudar de volume, e o resultado torna-se difícil de fixar. Beber água e comer proteína suficiente ajuda, porque é com isso que o colagénio novo se constrói. O tabaco trabalha no sentido contrário, e o sol sem proteção degrada o colagénio que já tens.
Por onde começar
A radiofrequência corporal faz-se nos braços, nas costas, no abdómen, nos flancos, nos glúteos e nas coxas, e podes ver os preços por zona na página de Corpo & Contorno. Marca-se a primeira sessão e as seguintes combinam-se connosco.
Se a tua queixa juntar mais do que uma frente ao mesmo tempo, gordura que ainda incomoda e pele que perdeu firmeza, então em vez de somar sessões soltas costuma compensar olhar para um plano estruturado, como o LipoWave para o abdómen, onde a radiofrequência já vem combinada com outras tecnologias e por uma ordem pensada.
Em qualquer dos casos, a avaliação gratuita é onde isto se decide. Vemos a zona, percebemos em que ponto está a tua pele e dizemos-te com franqueza o que é realista esperar.






