É a pergunta que mais aparece depois de uma primeira sessão, e quase sempre com a mesma formulação: "isto não fez nada?"
Fez. Só que ainda não é para se ver. E a razão pela qual ainda não é para se ver não é má notícia nenhuma — é a forma como a pele trabalha. Vale a pena conhecê-la antes de começar, porque é isso que faz a diferença entre atravessar as primeiras semanas com calma e desistir a meio de um plano que estava a correr bem.
Este artigo é sobre o que acontece depois de começar. Se ainda estás na fase anterior, a de decidir se faz sentido e o quê, o que explicamos sobre como avaliamos uma pele antes de recomendar responde melhor a essa pergunta.
O que se sente no fim da sessão não é o resultado
Logo a seguir a uma sessão a pele fica mais tensa e com melhor aspeto. É verdade e nota-se, e é fácil pensar que é já o resultado a aparecer.
Não é. É a resposta imediata ao calor: as fibras de colagénio que já lá estão contraem, e isso dá um efeito real mas passageiro, que se desfaz em poucos dias. O que fica é outra coisa — colagénio novo, produzido pela própria pele depois de ser estimulada. E esse leva semanas a formar-se.
É por isso que uma fotografia tirada no fim da sessão não serve para julgar nada, e é também por isso que a desilusão da semana seguinte é tão comum. O efeito bonito foi-se embora, e o verdadeiro ainda não chegou.
A parte que ninguém avisa: a terceira e a quarta semana
Por volta da terceira ou quarta semana parece que tudo estagnou. O efeito imediato já passou há muito, e ainda não há nada de novo para ver ao espelho. É precisamente aqui que mais gente pensa em desistir, e é a pior altura possível para o fazer, porque é quando o processo está mesmo a arrancar.
O que se passa por baixo, nessas semanas, explica-se bem com uma imagem. A pele não produz colagénio novo como quem enche um copo, em que cada dia se vê subir um pouco. Produz mais como quem tece: primeiro fabrica os fios, depois amarra-os uns aos outros e à estrutura que já existe.
Nas primeiras semanas depois de uma sessão, a pele está a fabricar fios. As células que produzem colagénio já estão a trabalhar a sério, mas as fibras novas ainda são finas, estão desorganizadas e ainda não estão ligadas entre si. Ou seja: já existe muita coisa a acontecer, só que nada disso se traduz ainda em firmeza, porque fios soltos não sustentam nada. É trabalho invisível, e é por isso que o espelho não o mostra.
A firmeza aparece na fase seguinte, quando essas fibras se organizam e se ligam à estrutura existente. Aí, sim, o tecido ganha resistência nova, e aí é que a mudança começa a ser percetível. O patamar não é uma pausa no processo — é a parte do processo que não se vê.
O gráfico da peça do carrossel mostra bem a forma disto: uma subida pequena no início, um trecho plano no meio, e depois a curva a ganhar altura. É o desenho do padrão biológico, não a medição de uma pele em concreto — cada uma tem o seu ritmo. Mas a forma repete-se, e é a forma que interessa conhecer.
Quando começa a aparecer, aparece devagar
Os primeiros sinais são discretos. Pele mais firme ao toque, às vezes um pouco mais luminosa. Não é o antes e depois de revista; é o corpo a responder no tempo dele.
Duas coisas práticas ajudam muito a não perder esses sinais, e valem mais do que qualquer conselho geral de paciência.
A primeira é usar as mãos, e não só os olhos. A firmeza costuma sentir-se ao toque antes de se ver ao espelho, e o espelho é um péssimo instrumento de comparação quando aquilo com que estamos a comparar é uma memória vaga de como a pele estava há três semanas.
A segunda é fotografar no início e no fim, nunca todos os dias. Uma fotografia no dia da primeira sessão, com a mesma luz e o mesmo ângulo, e outra semanas depois, mostram a diferença que o dia a dia esconde. Ver-se ao espelho todas as manhãs à procura de mudança é a forma mais garantida de concluir que não está a acontecer nada — uma mudança gradual, avaliada diariamente, lê-se sempre como ausência de mudança.
O que ajuda enquanto isso avança
Não muda o essencial, mas ajuda a que o trabalho se veja mais depressa.
Água ao longo do dia e proteína nas refeições, porque é de proteína que o colagénio é feito, e a pele não constrói com matéria que não tem. Dormir o que for possível, porque é em descanso que a pele se repara — falámos disso com mais detalhe neste artigo.
E protetor solar todos os dias. Aqui há uma razão a mais para insistir, que é específica destas semanas: durante um protocolo estás ativamente a construir colagénio novo, e o sol trabalha exatamente contra aquilo que estás a construir. Não é uma altura neutra para o dispensar. É a altura em que ele conta mais.
Porque falamos em protocolo e não em sessão
Tudo o que está aqui explicado acontece depois de uma sessão. Um plano soma várias, espaçadas de propósito para que cada uma trabalhe sobre o que a anterior já deixou a andar, e é por isso que se mede em semanas e não em visitas.
No rosto, o FaceWave vai das catorze às vinte e três semanas, conforme o plano. No corpo, o LipoWave são doze.
A diferença de calendário entre eles não significa que a pele do rosto seja mais lenta a responder. Significa que os planos empilham objetivos diferentes: o percurso facial mais longo tem várias fases encadeadas, com semanas de descanso planeadas pelo meio, enquanto o corporal concentra os blocos de forma mais compacta. Sobre a razão pela qual o rosto e o corpo não respondem ao mesmo ritmo, que é uma questão diferente desta, escrevemos aqui.
E há uma última coisa que quase ninguém diz: depois da última sessão a pele continua a trabalhar mais umas semanas. A remodelação não para no dia em que o plano acaba. Na prática, isto significa que o melhor momento para avaliar o resultado — e para tirar a segunda fotografia — não é no último dia, é algumas semanas depois dele.
Cada pele tem o seu ritmo, mas o caminho costuma ser este
Se já começaste e é isto que estás a sentir agora, o mais simples é dizeres-nos. Não precisas de esperar pela sessão seguinte para perguntar se o que sentes é normal — estamos aqui para isso ao longo do caminho todo, e não só no início.
E se ainda não começaste, e o que te trava é justamente o receio de desistires a meio sem perceberes porquê, a avaliação gratuita serve também para isso. Vemos a tua pele, dizemos com franqueza o que esperar e quando, e decides com essa informação. Sem pressa e sem compromisso nenhum.






